Você já quase amou alguém?
Explico. Você já teve alguém na sua vida especial, com quem você é feliz em dividir beijos, bem-casados e papos-furados? Alguém que te faz sorrir pelos motivos mais idiotas, e te faz sentir um apertinho no peito quando fica sem ver por um tempo?
Você quase ama.
Você quase diz isso.
Você quase se convence que sua busca acabou.
Mas tem uma pulga que não pára de morder. A pulga da dúvida.
Dizem que no amor não há espaços para hesitações.
Eu discordo disso. Para mim o amor é uma eterna interrogação. Será que ele me ama? Será que vai durar para sempre? Será, será? Será que é o João? Será que é a Maria?
O amor é sempre perguntar um será.
E o quase amor?
O quase amor é questionar o talvez. É a dúvida da dúvida. É uma pergunta de uma pergunta sem resposta.
Eu já quase amei algumas vezes.
Amei outras tantas.
Mas o quase... o quase é aquele amor traiçoeiro que não morre fácil. O quase não gosta de morrer, porque ele simplesmente não nasceu direito! O quase se alimenta da gente. É a carniça do sentimento.
O quase amor, o quase não vivo sem... É que tem sempre a pergunta, a parede, uma muralha que te segura, que não te deixa travessar a barreira do quase.
É isso que nós mantém seguros, calmos, tranquilos.
Mas até quando isso dura?
Será que temos absoluto controle do nosso quase lá?
O que eu posso dizer é que ainda bem que eu admiro o quase.
Admiro o meio do caminho. É como se fosse uma enorme clareira, um mirante. Uma pausa para uma foto.
O quase é isso. É poder pensar se vale a pena arriscar todo o resto.
Eu estou quase desistindo deste texto.
Porque eu quase perdi uma noite inteira de sono.
Fiquei pensando no meu quase. Na minha dúvida.
É preciso chegar a uma conclusão.
Então eu quase ataquei a geladeira.
Quase saí para dançar.
Quase fiz a trigésima ligação.
Quase confessei que o que eu sinto não é só um mero quase.
E quase perdi a razão.